terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vitórias e Derrotas

Uma das coisas mais importantes que aprendi na vida foi a perder,sou a soma de todas as minhas derrotas como dizia o velho samurai no filme do Akira Kurosawa "Os Sete Samurais".
Numa sociedade de vencedores e de campeões, parece absurda esta arte da derrota, quem quer ser um perdedor? Já dizia o falecido Freddy, "no time for loosers", mas aqui o António quer continuar a ser um perdedor.
Será a vitória boa? Quase nunca.
A vitória ilude-nos, a vitória faz-nos pensar que somos melhores do que realmente somos, a vitória atrai falsos amigos, bajuladores, oportunistas, a vitórias torna-nos moles, distraídos, mas mais importante que tudo, nada se aprende na vitória.
Pelo contrário a derrota, torna-nos melhores, quando tudo corre mal, só os verdadeiros amigos ficam, a derrota ensina e corrige, a derrota prepara-nos e fortalece-nos.
É perante a derrota e não a vitória, que o caracter é testado, que o melhor de nós vem ao de cima, a Argentina foi derrotada contra a Alemanha neste último mundial e Carlos Tevez e restantes jogadores argentinos, não culparam ninguém, "não há dedos a apontar", perdemos, já os Portugueses em situação idêntica, procuraram culpados, foram mesquinhos e reles.

Perder é o único caminho para a grandeza, o cientista falha 1.000 experiências antes de encontrar a cura, o poeta rasga 1.000 folhas antes de escrever os Lusíadas, o tenista perde 10 torneios mas vence Wimbledon.
Pelo contrário um caminho de vitórias pode empurrar-nos definitivamente para o precipicio, Napoleão teve Austerlitz e tantas outras, mas no final Waterloo acabou com ele.

Não quero com isto afirmar que a vitória não deva ser procurada, mas ela serve-nos muito mais como partida de como chegada, e nesse caminho as derrotas são degraus essenciais.
O culto do sucesso sempre existiu e em todas as sociedades, no entanto, as derrotas são sempre ignoradas e esquecidas, o que é pena, pois são esses os exemplos que melhor nos servem.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Romanos e Etruscos

Antes da época romana, a penisula itálica era dominada pelos etruscos, que tinham subjugado todos os povos locais, entre eles os próprios romanos.
A civilização etrusca era muito mais evoluida que as demais, e os romanos, pouco mais que selvagens na altura, viviam sob o dominio dos reis etruscos, pelos quais tinham o maior ódio e desprezo.
O Etruscos eram sofisticados, artisticos e abastados, dedicavam-se aos prazeres da vida, às orgias, tinham um grande desenvolvimento cultural e estético.
Os romanos eram um povo pobre e primitivo mas honrado e honesto, a sua sociedade patriarcal, dominada pelo chamado "Pater Familias", fazia o culto do trabalho e da coragem, que aliás foram os alicerces do seu império, séculos mais tarde, e sendo totalmente opostos aos seus senhores Etruscos, não seria de admirar a sua aversão a estes.
O confronto estes dois povos foi inevitável, com a vitória dos romanos que passaram de servos a senhores, diz a história que a revolta começou com a violação de uma jovem romana por parte de alguns etruscos, à qual os romanos responderam com a maior violência. Talvez não passe de uma lenda ou então de uma metáfora, a decadência etrusca contra a virtude romana.
Os romanos desenvolveram-se como povo e criaram um dos maiores impérios da humanidade, tendo para sempre marcado a história e cultura ocidental, mas também eles, tal como os seus antigos senhores, se tornaram decadentes, abandoram os seus velhos hábitos patriarcais, e dedicaram-se à estética, a opulência, às orgias, tendo o seu império sido destruido pelos povos bárbaros que assolavam as suas fronteiras.
Dizem os entendidos, que a obcessão pela imagem, pela beleza e pela estética é um sintoma da decadência de um povo ou civilização, e a história já nos ensinou essa lição várias vezes.
Nunca como agora, as preocupações com a estética, com a imagem e com o superficial foram tão grandes, muito mais que "ser", é preciso "parecer", somos uns verdadeiros Etruscos do século XXI, com as nossas operações plásticas, os nossos Spa's etc.
Nós os ocidentais nem sempre fomos assim, já fizemos coisas grandes e importantes, mas tornámos-nos uns mimados e uns pedantes, e agora caminhamos a passos largos para a decadência.
Os poetas e artistas romanos troçavam dos "velhos" que defendiam o regresso aos velhos hábitos, como agora o fazemos com os mais antiquados, mas será mesmo que seguimos no caminho certo?
Não há forma de o saber até que a nossa civilização seja posta em causa como um todo, podemos ser eternamente decadentes se nada alterar esse estado, mas não creio que isso se vá verificar.
Existem as chamadas potência emergentes, que na minha opinião, serão os nossos "romanos" e em breve irão ocupar o nosso lugar, passaremos de senhores a servos e a história repetir-se-á mais uma vez.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pensamentos soltos

Pipoca Mais Doce - Adoro-a, é linda e escreve sobre bola e mais gajas boas, quem quer saber do PP, porco gordo mais o seu blogue, quando tem esta musa?

Sandro Bala - Procuram-no por crime, mas claro! Como é que um individuo chamado "Sandro Bala" pode não ser criminoso? Ou estaremos a falar do Sandro Bala o Neurocirugião?

Carlos Queirós - Porque tirou o bigode? Se ainda o tivesse nada disto teria acontecido, ninguém suspende um homem de bigode com o ânimo leve.

Farmville - A costela provinciana dos portugueses volta ao de cima, todos temos uma "terra" para passar a páscoa e um tio chamado "Toino".

Crianças - Como conseguem gritar tão alto? Supostamente deviam ter pulmões mais pequenos e fracos!

Alexandra Lencastre - Está sempre à beira do colapso, à beira de depressão, mas bons papéis não lhe faltam, será que a estratégia do "coitadinho" ainda dá frutos?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Táctica Professor Marcelo

Hoje li com surpresa que o Sr. Martim Avillez Figueiredo é o novo jornalista do jornal Expresso, tendo uma coluna semanal a partir de Setembro.
Este senhor, a quem desejo as maiores felicidades, pertence à espécie que identifiquei como "Homo Sapiens Analistis Comentadorus", ou seja uma variante da raça humana, especialista em comentários.
Quando analisei o percurso de MAF, facilmente concluí que este cavalheiro acumula insucessos, em todos os grupos de media por onde passou, ou seja, continuará a receber as melhores ofertas de trabalho!
Seu Invejoso! Chamam-me os meus caros leitores, e fodasse, claro que sim. Este senhor domina a Táctica Professor Marcelo, que permite, sem nada fazer e tudo aparentar, chegar aos lugares cimeiros da nossa sociedade, gostaria de saber fazer o mesmo para sair da cepa torta.

Em que consiste a táctica professor Marcelo?

Esta táctica, inventada pelo grande guru Marcelo Rebelo de Sousa assenta em alguns princípios que garantem o sucesso melhor que o livro "O Segredo", a saber:

1º)Arranja um bom Nome!
Martim "Avillez" Figueiredo, "Professor" Marcelo, Constança Cunha "e" Sá, como podem ver um nome sonante é comum a todos, o Professor ensina e dá notas e o espanholado muito entende de economia internacional.
Quem quer ouvir os comentários do Paulino de Jesus?

2º)A força dos números
Para se parecer inteligente têm de se fazer previsões, mas de que forma para que corra tudo bem?
Atiram-se umas 40 previsões e acertam-se 5 ou 6, a malta só se lembrará das que se verificaram e assim o mito aumentará.

3º) Não te metas nisso moço...
A regra mais importante de todas e nunca, jamais a esquecer! Qualquer assunto, com interpretações várias, solução difícil, ideologia complexa ou com uma grande carga de polémica é para evitar, claro é fácil dizer que o ministro é burro ou que morre muita gente na estrada, mas agora dizer como se soluciona é que é mais complicado, nunca ninguém viu um comentador apresentar soluções para a sustentabilidade da segurança social ou formas como manter a economia competitiva sem sacrificar benefícios, porque ao fazer isto desce do trono do comentário, e terá como todos os comuns mortais, de enfrentar os problemas.


O nosso Professor, tem agora uma legião de seguidores, as martinetes, prontos a comentar e parasitar o que os outros fizerem, de certo ou errado, nada criam, tudo opinam, a sociedade adora-os e dás-lhes todos os privilégios, como se o comentador desportivo pudesse ganhar a bota de ouro, há muito se compreendeu que partir para a acção é entrar num caminho atroz e de dificuldades que raramente acaba bem, por isso caro leitor, recorde-se destas regras e quem sabe se não estará no próximo noticiário da noite?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Papa In Rio

Só vou à igreja quando sou convidado para um casamento ou baptizado, condição essa que também tenho porque ainda não conseguia correr na altura.
Nunca fui dado à religiosidade, e para dizer a verdade até sou um bocado para o herege, e jamais pagaria para ver o Papa, a não ser que trouxesse umas bailarinas exóticas, mas ao que parece, sua Santidade vai fazer uma digressão pelo Reino Unido com bilhetes pagos como se fosse a Lady Ga Ga.
O Vaticano defende que se as pessoas pagam para ver um concerto ou para entrar num museu também devem pagar para ver o Papa.
Estou certo que Jesus também cobrou aos cegos a quem devolveu a visão ou a Lázaro quando o ressuscitou (fodasse e era caso para isso), no entanto não o fez, mas o alemão, acha que sabe melhor que o chefe e decidiu cobrar à pessoas para ouvir a palavra de Deus.
Não creio que tal medida seja absurda e antes de criticar, procurei a razão para que a Santa Sé o esteja a fazer e a mesma é muito simples, a Igreja Católica precisa de dinheiro e urgentemente, ah pois é!
A insituição milenar que esteve ao lado dos últimos imperadores romanos, de Carlos Magno, que sobreviveu a Hitler e Estaline está mais falida que a nossa segurança social.
Não é muito dificil chegar a esta conclusão, a igreja e a sociedade estão num divórcio litigioso há umas boas décadas, a humanidade evoluiu a uma velocidade assustadora, a Igreja Católica Romana ficou a olhar e o resultado agora está à vista, gerações inteiras que nunca puseram o pé numa igreja, nunca meteram um tusto na caixa das esmolas e nunca deram um jantar à pala em sua casa ao abade.
A SIDA dizimou o terceiro mundo mas sua santidade condena o preservativo, os panascas ocupam lugares de grande importância na cultura, desporto e artes mas a igreja é boa demais para eles, a Dona Cremilde levou nos cornos durante 25 anos do marido mas é uma putéfia se quiser o divórcio e nem vamos chegar aos padres que gostam muito de meninos de coro, por cada jovem praticante temos 1000 que ficam em casa a jogar Call of Duty.
Seria injusto não referir o grande trabalho humanitário feito pela igreja em todo o mundo e o conforto que levam a muitos que perderam a esperança, mas os motivos que falei acima são a pedra que a está a arrastar para o fundo.
O desinteresse das pessoas, automáticamente reflete-se nos cofres do Banco Ambrosiano e agora os bilhetinhos ajudam a equilibrar as contas, mas não passam de um penso rápido num buraco de bala.
Todos ainda precisam de fé e de acreditar em algo, e quase de certeza que precisamos todos da igreja, claro que ser ateu está na moda, até o cancro desfazer o pancreas, porque aí chamamos por todos os Santinhos, mas a verdade é que esta Igreja já não nos serve e se quem lá está pensa que é com bilhetes que vai trazer as multidões de volta, então prepare-se para ter uma sala mais vazia que um concerto da Rute Marlene.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Serviço Nacional de Saúde

O nosso pobre e esfarrapado SNS é das coisas que mais criticas recebe, o povo critica, os políticos criticam, os médicos criticam, todos malham no sistema de sáude gratuito implementado em Portugal, e na verdade não sem portado muito bem, são as filas de espera, são os doutores trombudos enfim, já teve dias melhores.
Para quem vive no cantinho penisular, nem lhe passa pela cabeça ter cancro e o hospital recusar-lhe a quimioterapia, nem imagina o que é ver-lhe negada uma consulta por falta de seguro, mas isso existe, em muitos paises do mundo e alguns do chamado "primeiro mundo".
O SNS é um dos maiores beneficios que temos por sermos portugueses, é mau? Se calhar, mas também é gratuito e chega a todos, muitos são os que disparam os argumentos do costume "Na Suiça é que há bons hospitais!", mas sem seguro morre-se à porta, "nos EUA existe tecnologia de ponta", quem não está abrangido definha em casa...
A cambada quer ver o SNS cair, querem enterra-lo melhor do que o Tony Soprano faria, com cimento no fundo do Tejo, cortado às postas num buraco etc.
E porquê? Porque o lobby da banca e das seguradoras quer a implementação e crescimento dos sistemas privados, é o Fédis e a Medicock, sistemas manhosos,caros, cheios de alineas e letras pequeninas.
O Povo responde, "eu já fui tão bem atendido no hospital do PUFF!", mas quando as coisas dão para o torto, lá vêm as letras pequenas, as tias vão parir ao privado sem saber que só a MAC tem certos equipamentos de urgência.
É os médicos? Os Médicos portugueses tornaram-se uns patifes, e são eles o carrasco do SNS, são meros delegados comerciais das farmacêuticas, cumprem por favor o serviço público, sonhando com os balúrdios do privado.
Combatem os genéricos, defendem a sua corporação limitando ao máximos a entrada de novos médicos na profissão (mais médicos = mais consultórios = mais concorrência), uma das mais nobres profissões do mundo decaiu até à lama.
Chegará o dia em que choraremos sangue pelo SNS, o dia que que para levar uma injecção teremos de ter um seguro e onde a saúde será um negócio ainda maior do que já é, de tanta asneira que a nossa constituição tinha, o "tendencialmente gratuíto" era uma luz ao fundo do túnel, e no futuro quem não tiver abrangido, verá mesmo essa luz, mas por outras razões.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Toma lá morangos!

Ainda não terminei o meu texto sobre "um dia à anos 80" de confesso, amados leitores, que foi uma das ideias mais parvas que já tive na vida, tendo ficado KO por uma data de dias à conta dessa esperteza.
Como sou um homem de palavra, irei termina-lo, mas mais tarde,porque tenho outras prioridades para este blogue.

Regularmente recebo mails sobre os mais diversos infortunios alheios, uma criancinha que precisa de euros para uma operação, um associação que pedincha para África etc.
Mas um que recebi hoje, fez-me fritar o radiador e por isso, será esse o tema de hoje.

Existe uma senhora, chamada Clara Alves, com cabelo curto pintado de amarelo, na tradição das melhores fufas internacionais, tais como a Ellen Degeneres e a outra gaja (fufissima) que entra na série Glee, que escreveu um texto de fazer chorar as pedras da calçada acerca das pobres senhoras marroquinas que trabalham sazonalmente na Europa, em concreto no país dos Papa Tapas a apanhar morangos.
O texto fala do drama e do horror que é o processo de selecção dessas trabalhadoras e como os lideres europeus são uns patifes em permitir que isto aconteça. Já que são escolhidas mulheres com filhos para evitar que elas "fujam" e se tornem imigrantes clandestinas.

Como é óbvio não concordo com esta senhora nem com o molengões que me enviaram este e-mail e passo a explicar as razões:

1) Alegadamente as trabalhadoras marroquinas são exploradas, porque os "malvados" dos espanhóis pagam-lhes 35 € ao dia.
Pois bem, 35 € x 20 dias são 700 € mês que é bem mais que o salário minimo nacional português e mais ou menos 4 vezes o salário médio em Marrocos. Sem dúvida que estes espanhóis são uns canalhas.

2) São escolhidas mulheres com filhos para não haver o risco de fuga e de imigração ilegal. Caramba somos mesmo maus,por nos acharmos no direito de não querer imigrantes ilegais no nosso continente, até porque eles são conhecidos por se dedicaram às artes e ciências, ou então se calhar é ao crime...que o digam os cidadãos de Marselha.

3) Ao que parece os homens que ficam para trás, arranjam uma nova companheira e quando as trabalhadoras voltam "têm uma rival". Eu peço desculpa, mas não posso acreditar nisto. Um árabe com mais de uma mulher? Onde se já viu isto?

Eu sei que é moda e bem defender os interesses do terceiro mundo, mesmo quando passam a vida a foder-nos, mas em Portugal existem 500.000 desempregados, e garanto que muitos deles vão para espanha apanhar morangos e por bem menos. Claro que não tem piada nenhuma escrever um texto sobre as mulheres do Porto que trabalham sem papéis por menos que o salário minimo ou dos escravos (em Espanha!)que estão constantemente a serem descobertos pela polícia, porque os intelectuais portugueses gostam mesmo é dos relativismos culturais decadentes e de criticar o continente ondem vivem, que mesmo assim lhes dá a liberdade para escreverem as parvoíces que querem.